Sentada na calçada, olhando a rua, imaginava a vida de quem por ela passava; imaginava a casa, o trabalho, a família; imaginava quem essa pessoa amava, por quem suspirava; se tinha a cabeça cheia de problemas ou leve demais, capaz de voar. Ficava imaginando, buscando um abrigo na vida que não era dela; criava estórias de vidas exemplares, de pessoas diplomatas; criava, “porque sua vida real é trágica”.
Dessa maneira tentava fugir, recriava pessoas e numa miniatura punha tudo no lugar desejado; criava roteiros, falas, cenários; um refúgio pra quem não encontra seu próprio sorriso.
Assim, podia ser feliz ao menos nos seus planos. Ao menos, em sua casa cor-de-rosa, com telhas coloniais; garagem de porta automática (com controle e afins), jardim repleto de margaridas, carrinho de bebê às 07:00h da manhã apanhando sol com o pai da criança ao lado; Vivendo numa vida artificial, mas que era somente dela, dos sonhos dela, da maquete dela; afinal, ela que repunha o isopor sempre que desfazia-se um pedaço, que sentia-se feliz quando a mulher de avental vermelho, preparando a torta, a reprensentava.

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