quarta-feira, 23 de junho de 2010

Assim eu sonhei


Eu era capaz de sentir o sabor dos lábios dele nos meus apenas com o poder de meus pensamentos. A minha vontade de ter ele ao meu lado era tanta que eu conseguia sonhar com nosso encontro todas as noites. Meus olhos lagrimejavam
quando eu dava conta de que era mais um sonho em uma noite na qual permanecia sozinha.A voz dele soava como uma canção em meus ouvidos nas noites que passávamos juntos jogando conversas fora, eu me sentia protegida, mesmo com ele tão longe. Era como se todas as noites estivesse deitada ao lado dele, acariciando seus cabelos lisos e negros.Minha voz amolecia toda vez que eu imaginava seus braços entrelaçados em meu corpo. Cada suspiro fazia minha perna estremecer, causava arrepios. Nossa imaginação tem o poder de nos levar a outros mundos, nos faz explorar todos os sentidos, minha vida era como um livro, um livro sem figuras onde tudo que acontece passa como um filme imaginário em nossas mentes, como flash rápidos, vontades e desejos absurdos que passou a tomar conta de todo meu corpo não só nas noites mais por todo o tempo.As lembranças surgiam como se tudo tivesse realmente acontecido,é como se a cada segundo eu alimentasse mais e mais minha imaginação com a vontade de estar ao lado dele. Na verdade nunca estive ao lado dele, eram só hipóteses, planos, tudo ficou pra trás e fio esquecido, viraram histórias quase reais mais que me machucaram de verdade.

Oh, vento.

Vento trate de voltar e trazer consigo tudo o que me pertencia! Não quero ser um ser vivo sem emoções, tampouco não me recordar das coisas ruins e boas que já vivi. Então trate de voltar, vento! Não quero que você vá embora levando as dores, as feridas, os tombos e os hematomas pelos quais passei. Fizeram parte da minha vida e tenho que caminhar sempre lembrando deles para não correr o risco de repeti-los. Trate de voltar e quero que volte com as lembranças boas também, para eu perceber que apesar de injusto o ciclo da vida faz sentido. Traga-me as lembranças de infância para eu nunca perder o encanto pela vida. Obrigo-te a trazer até as lembranças do meu primeiro beijo, para eu saber como a vida também pode ser doce e o frio na barriga maravilhoso. Vento traga tudo o que me pertence e tudo a que sou dona! Eu tenho direito de saber que graças a tudo o que vivi, sou digna de lembranças. Vento, não me esconda nada.

Dear.

Queria que soubesse que, eu morro por ti, eu mato por ti, eu respiro por ti, eu vivo por ti.
Não só me faz bem, como me faz viver, me faz ver a vida de um outro ângulo, te amo por toda a eternidade, mesmo que a própria não exista para mim, eu vou, mas o meu amor fica. Ele é mais forte que eu, ele faz com que eu queira sangrar em te ver mal, não dá para aguentar.
Então, não derrube uma lágrima se quer, eu estou aqui, para parar suas lágrimas e segurar sua mão, e te falar que tudo vai ficar bem, dear.
Amiga, mais que amiga, uma irmã, minha vida. Não pense que vou te esquecer, nem por um segundo. Estarei aqui mesmo quando você se for, vou te esperar, vou estar aqui e vou sorrir quando te ver voltar para falar que esqueceu de me dar adeus.
Vou chorar sua partida, mas sei que te fará bem, então que seja feliz com a sua escolha, eu ainda estou aqui, a lhe esperar, para rir mais uma vez com você.
Para eu ver o seu sorriso, seu doce sorriso, dear.

Pouco pensou antes de adentrar o cemitério. Não passou os olhos pelo local, apenas seguiu em frente, bem como a voz dentro de sí ordenava. Passou por diversas sepulturas, viu flores mortas e tantas outras feitas de plástico, e no meio de tanta morbidez sentiu-se bem, como a muitos dias não sentia-se. Eram mais de 23:00h e acima, num céu sem estrelas, apenas uma lua cheia emanava claridade. A cada passo dado a voz interior aumentava, indicando a ela que estava no caminho certo. Avistou lápides belas e outras nem tanto, e quando chegava ao final do cemitério, viu o túmulo dele. Aberto e quebrado, como imaginara. E então, a voz interna gritou, a deixou em transe por longos segundos para depois silenciar completamente. Sentado ao chão, poucos metros de distância dela, estava ele, sujo de terra, pálido, com olhos muito desconcertantes, abraçando os joelhos. Sentiu o corpo todo tremular e tornar-se frio, não sentiu medo, apenas um sentimento estranho, como amor e pena juntos. Andou em sua direção, com passos firmes mas demorados, para então ajoelhar-se aos seus pés, enquanto as lágrimas que não havia permitido caírem já molhavam a terra. Abraçou-o e sentiu sua pele gelada, não fez menção de pronunciar palavra alguma, apenas ficou alí, sentindo a frieza daquele corpo que tanto aquecia sua alma.
E, depois de quase uma hora, levantou-se, tomando-o pelas mãos.
- Venha.
- Não posso. - sussurrou.
- Porque? - ela perguntou, já sabendo a resposta.
- Tenho que ficar aqui.
- Aqui?
Ele apontou para seu próprio túmulo. - Apenas vim me despedir de você. Sua voz era um sussurro falhado, quase inteligível.
Ela percebeu as lágrimas caírem por sua face novamente, agora em abundância. Não fez menção de limpá-las.
- Não consigo. Não consigo viver sem você.
- Terá de viver.
Abraçou-o mais uma vez, afagando suas costas, entre soluços. 
Desvencilhando-se dela, ele disse:
- Sempre amarei você, sempre. Mesmo do outro lado, há vida. Não da forma com que imaginas, mas há. E eu vou esperar você eternamente. Não se apresse. Temos todo o tempo do mundo.
E, sufocando seu amor mais uma vez, ele mandou-a ir. Não havia vida do outro lado, ele sabia, assim como não poderia esperá-la. Voltou ao túmulo mais uma vez, e então entrou. Se tivesse lágrimas, estaria chorando. Se tivesse coração, este já estaria em pedaços. Não conseguia viver sem ela. Mas teria de viver.

Um namorado imaginário

Uma menina sentada na cama, no escuro. Seus olhos fixados, a menina nada via. Por sua mente repetiam-se números, letras, códigos: “E U 7 3 4 M 0 M U 1 7 0″. Sua mente estava confusa, era só o que ela podia ver.
A porta se abriu, uma pequena luz.
- Ei garota! Acorde, vamos, coma tudo! – Antes que a menina pudesse decifrar as palavras presas em sua língua, a voz se foi. Ela caminhou até a porta, um barulho alto e forte; uma menina caída; comida esmagada, água entornada. Quando a menina se deu conta do que havia acontecido, olhou para baixo, nada viu; tocou os restos com sua mão gelada, pegou, colocou em sua boca, engoliu; lágrimas desciam por toda sua face.
- Olá. – Ela teria ouvido uma voz.
- É… a… – Nada saía de sua boca.
Alguém ajuda ela a levantar-se.
- Olá! – Outra tentativa da voz, à espera de uma resposta.
- é… O… i…
A menina sentira uma pessoa acariciando seus cabelos, e tocando seu rosto. A mão estava quente, e era pequena, talvez outra criança.
- Não se assuste, só lembre-se de mim, quer uma ajuda? – Ela sentiu aquela voz próxima ao seu ouvido, e a menina ficava arrepiada, em cada sintonia das palavras.
A menina assentiu. A voz, tocou seus lábios, e começou um leve movimento com a língua, a menina seguia, mesmo sem saber o que estaria fazendo. Quando acabou, ele a cobria com um abraço, tudo o que ele pode sentir era lágrimas descendo pelo rosto da menina, ele também chorava.
- Por que… Por que… Por que fez isso? – Ela conseguia dizer.
- Desculpe, você… é… Não… – Ele ficou confuso.
- Bom, eu… eu…- as lágrimas impediam sua voz.
- Bom, agora durma, durma aqui, estará segura.
Ela dormira, e na manha seguinte ele não estava mais ali, havia uma pequena luz no alto da sala, um buraco no telhado velho do local. Ela buscou ele, ela não podia encontrá-lo. Ela gritou, bateu nas portas, mais ele não aparecera, ela estaria sonhando ontem? Ou seria ele, um namorado imaginário?

Pensamentos

Minha mente está confusa, não sei o que pensar. Um lado meu fala para eu não ter medo e seguir em frente, o outro lado diz para eu ficar quieta apenas com os meus pensamentos. Sei que o primeiro está correto, mas é o mais difícil. O segundo insiste em falar mais alto. Meus pensamentos são estranhos, sem sentido, totalmente confuso. Talvez isso seja apenas uma fase, mas uma fase que não está sendo nada fácil. Cada dia se torna mais difícil lidar com eles, cada dia se torna mais difícil expressa-los.
Poxa, pensamento deveria ser para me orientar, mas o que está acontecendo que a cada dia fico mais confusa com eles? É tão ruim...
Sinceramente espero que um dia eu posso saber interpreta-los da maneira certa, porque agora só está apenas, mais difícil.

Impossível amar sem sentir dor.

Sinta a emoção que flui dentro de você. Sim, é incontrolável. Impossível impedir a passagem dela para todos os seus órgãos principais.
Sensações que tomam nosso psicológico nos fazem perder a razão; nos deixam descontrolados. Sim, todas fazem isso conosco. E não há nada que possamos fazer: nosso cérebro está tomado por elas. Porém, somos insistentes, não queremos aceitar as duas principais verdades:
1) você está apaixonado;
2) você irá sofrer.
Tente encontrar soluções para ambas. Não há.
Tente lutar contra elas. Impossível.
A dor e o amor andam juntos, são amigos e amantes. Não dá para sentir um e não sentir o outro. Não dá para não senti-los.
Mas o ser humano é teimoso. Teima em sentir o amor à cada segundo. Chora porque sente dor todo milésimo.



Amar é essencial. A dor é consequência.

Anjo.

Te protege e te faz feliz. Quem não quer um anjo?
Que nos momentos difíceis te dê força e te faça rir ao mesmo tempo. E a cada pensamento dele seja teu, e que depois de ti ver ,liga e diz: “já sinto sua falta”.Alguém que te faça esquecer todos os seus conceitos de beleza e te faça aprender que conceitos de caráter que sustentam uma relação.Alguém que te ajude a descobrir o seu melhor e que te dê a certeza que não importa o que aconteça vai está ao seu lado.Que te faça ver a diferença do passado sem ele e do presente com ele e que não se importa com o seu passado e te dá coragem pra enfrentar o futuro incerto.Alguém que te faça esquecer a possibilidade de outro alguém.Alguém que seja seu anjo, seu amor maior.

Puro e perdido

Posso dizer o que eu penso? Dê-me alguns minutos e me verá de outra maneira.
Não choro sem motivos. Ingênua e sonhadora. Choro por estar perdida e desculpe-me se não consegue entender. Não sabia que o cansaço chegaria a tanto. Não sabia como eu podia me esgotar assim. Entre tantos obstáculos, eu me rendi. Mas só de você. Dizem por ai que eu fracassei. Falam nas minhas costas e sorriem ao ver-me. Sei que deveria ser mais forte, porém não consigo. Então, vou contar a pior parte disso tudo. Ele. Está tudo bem se eu brigo com alguém uma vez por semana. Tudo ótimo ter perdido três amigas em menos de um mês por pura falta de consideração. O problema é ele. Ele conheceu o gosto do amor através dos meus lábios. Sentiu o amor pela primeira vez graças ao meu encanto. Enfeitiçou-se pelo meu cheiro. Entre todas as apaixonadas, posso dizer, fui amada. Mas ele não sabe disso. Seu coração balança e faz-lhe sorrir ao ouvir meu nome, mas não sabe que todas essas fraquezas diante a alguém é chamada de amor. Como reconhecer o amor se nunca o sentiu? Como saber o que está acontecendo em si mesmo se ninguém o explica?
Diante disso, sofro. Sofro por perder um amor sem motivos. Amor sincero, puro e perdido. Lágrimas caem, lentamente queimando meu corpo pela vergonha de ser covarde. Poderia muito bem, dizer-lhe o que é essa magia. Poderia resgatar-lhe um beijo e mostrar o que eu sinto de verdade. Porque palavras não bastam. “Eu gosto de você, mais do que imagina”. E nem assim ele entendeu. “Eu gosto de você, mas sei lá”. Não tem romantismo na minha vida. É assim e acabou. Ele não sabe nada sobre sentimentos e eu desisti. É o fim de mais uma história. Vou seguir como sempre fiz. De nada serviram esses quatro anos de amor.
Vou encontrar outra história errada e você também, vamos chorar. Vamos sofrer. Vamos nos encontrar de novo e quem sabe? Pode ser que soframos novamente. Não sei quantas voltas o mundo vai dar até eu acertar. Mas é assim que as coisas são e vou continuar.

Vingança

Doce criança, que acredita em cada palavra que digo. Só tenho pena e só consigo me lamentar. Sou aquela garota que você deseja em sua cama, mas que nunca conseguirá satisfazer ao limite, mas que no fundo não me deseja perto, pois sabe do que sou capaz. Prefiro acreditar na minha ilusão, na escuridão, nos meus prazeres em vez de acreditar em você. Faço de você meu cúmplice pra no final te pisar e te usar, só que cuidado posso chupar seu sangue até a ultima gota. Enquanto você espera de mim inocência e caridade eu só espero de você piedade, gemidos de dor e gritos de salvação.
Não quero que me ame nem um segundo, não quero ser amigável pra ninguém, meus aliados eu já tenho ao meu lado e nunca precisarei de você. Sou sedutora e você pode cair no meu jogo, só tome cuidado o seu fim pode chegar rapidamente.
Hei! Você se acha meu amigo? Ai que você se engana, sou amiga de ninguém além do que meus olhos podem ver. Sou vingativa e ao mesmo tempo te darei prazeres que nunca ninguém irá te dar. Só tome cuidado o meu maior prazer é te ver no chão, acabado e sofrendo, enquanto isso rio até a morte. E agora o que eu vou fazer, além de brincar com a morte?