Pouco pensou antes de adentrar o cemitério. Não passou os olhos pelo local, apenas seguiu em frente, bem como a voz dentro de sí ordenava. Passou por diversas sepulturas, viu flores mortas e tantas outras feitas de plástico, e no meio de tanta morbidez sentiu-se bem, como a muitos dias não sentia-se. Eram mais de 23:00h e acima, num céu sem estrelas, apenas uma lua cheia emanava claridade. A cada passo dado a voz interior aumentava, indicando a ela que estava no caminho certo. Avistou lápides belas e outras nem tanto, e quando chegava ao final do cemitério, viu o túmulo dele. Aberto e quebrado, como imaginara. E então, a voz interna gritou, a deixou em transe por longos segundos para depois silenciar completamente. Sentado ao chão, poucos metros de distância dela, estava ele, sujo de terra, pálido, com olhos muito desconcertantes, abraçando os joelhos. Sentiu o corpo todo tremular e tornar-se frio, não sentiu medo, apenas um sentimento estranho, como amor e pena juntos. Andou em sua direção, com passos firmes mas demorados, para então ajoelhar-se aos seus pés, enquanto as lágrimas que não havia permitido caírem já molhavam a terra. Abraçou-o e sentiu sua pele gelada, não fez menção de pronunciar palavra alguma, apenas ficou alí, sentindo a frieza daquele corpo que tanto aquecia sua alma.
E, depois de quase uma hora, levantou-se, tomando-o pelas mãos.
- Venha.
- Não posso. - sussurrou.
- Porque? - ela perguntou, já sabendo a resposta.
- Tenho que ficar aqui.
- Aqui?
Ele apontou para seu próprio túmulo. - Apenas vim me despedir de você. Sua voz era um sussurro falhado, quase inteligível.
Ela percebeu as lágrimas caírem por sua face novamente, agora em abundância. Não fez menção de limpá-las.
- Não consigo. Não consigo viver sem você.
- Terá de viver.
Abraçou-o mais uma vez, afagando suas costas, entre soluços.
Desvencilhando-se dela, ele disse: E, depois de quase uma hora, levantou-se, tomando-o pelas mãos.
- Venha.
- Não posso. - sussurrou.
- Porque? - ela perguntou, já sabendo a resposta.
- Tenho que ficar aqui.
- Aqui?
Ele apontou para seu próprio túmulo. - Apenas vim me despedir de você. Sua voz era um sussurro falhado, quase inteligível.
Ela percebeu as lágrimas caírem por sua face novamente, agora em abundância. Não fez menção de limpá-las.
- Não consigo. Não consigo viver sem você.
- Terá de viver.
Abraçou-o mais uma vez, afagando suas costas, entre soluços.
- Sempre amarei você, sempre. Mesmo do outro lado, há vida. Não da forma com que imaginas, mas há. E eu vou esperar você eternamente. Não se apresse. Temos todo o tempo do mundo.
E, sufocando seu amor mais uma vez, ele mandou-a ir. Não havia vida do outro lado, ele sabia, assim como não poderia esperá-la. Voltou ao túmulo mais uma vez, e então entrou. Se tivesse lágrimas, estaria chorando. Se tivesse coração, este já estaria em pedaços. Não conseguia viver sem ela. Mas teria de viver.


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