quarta-feira, 28 de abril de 2010

Força do hábito.

 
Disponho de um pouco de discernimento agora.
Mas admito! Não é força de expressão quando eu falo ‘um pouco’. Também pudera, são 00:48 da manhã, o que você queria?
Mas a verdade é que eu falo de um modo geral. Vejo você agora como é! Não o que eu quero ver. E sinceramente? Não tenho tido o mínimo interesse em ver tudo isso!
São atrativos demais!
Qualidades demais!
Sorrisos demais!
Histórias demais!
Verdades demais!
Saltando pra fora, gritantes. Rasos demais!
É assim que eu vejo agora. O raso do que você fala.
A nobreza estonteante da sua razão, incontestavelmente perfeita!
Ela me irrita!
Entenda. Eu não estou sendo grosseira, apenas sincera.
Aliás, como sempre fui! Pelo menos com você.
Que apesar do ar superior, e da senhora segurança que eu me esforcei tanto pra admirar, nunca me assustou como aos outros.
O que me falta agora é a paciência de antes. Que não era muita, mas de qualquer forma me servia.
Para brincar de não suportar seu ímpeto e sua arrogância.
Pois isso agora ocorre de fato. Não brinco mais!
Mas ainda assim gosto de você. Acho até que admiro.
Afinal, você consegue conviver em paz consigo mesmo todos os dias e ainda não cometeu um suicídio!
Não ria. Falo sério!
Isso é pra quem tem muita força de vontade. E devo admitir que não disponho de nenhum pouco pra você.
Não é força de expressão, já disse.
Minha sinceridade é força do hábito!

Fingir.

-

quero subterfúgios que me caibam, sem precisar mentir.
não preciso que me aceitem, ou me digam que estou certa.
por ter realizado grandes feitos.
só peço que respeitem, o meu espaço seja ele do tamanho que for.
pois é 
meu !
nele cabem todos os meus sonhos, meus planos, meus fracassos, frustrações, e realizações.
não sou mais menininha, mas tenho meus ataques.
não sou independente, bem resolvida e livre de crises existenciais.
tenho ataque de ciúmes, por mais que eles explodam somente no meu interior.
e ataquem única e exclusivamente a mim.
sou compulsiva, impaciente, egoísta, arrogante e prepotente.
falo demais, não penso antes de julgar o outro, e não aceito que discordem de mim.
não sei dar conselhos, muito menos sobre amores.
não sou aquela amiga a quem todos recorrem pra desabafar, porque sabem que o seu segredo está seguro.
não tenho cara de boazinha, e não gosto de me vestir de menininha.
não sou bonitinha, não sou legal, não sou educada, muito menos estudiosa.
tenho preguiça, falo palavrão, arroto alto e rio da cara das pessoas.
aponto defeitos, e não perdôo deslizes. não sinto pena ou compaixão.
sinto orgulho,  sim. agora mesmo estou orgulhosa.
pois acabei de citar os milhões de defeitos que tenho e reconhecê - los como meus.
milhões de pessoas naão têm essa capacidade !
você não, vê isso ?
mas é claro. só eu vejo assim, ao espelho.. quando tiro todo o oposto do que acabo de citar acima, e me olho por dentro
pareço perfeitamente normal com todos esses deefeitos.. os defeitos que todos têm, mas não conseguem esconder. muito menos enxergar.
quanto a mim ?
sou humana, e sei fingir. só isso !

Tirando as medidas.







como vou dizer?
não sei se é muito, não sei se é pouco.
é diferente de todos.
e talvez seja mais que uns, e menos que outros.
o que acontece é que não lembro ao certo.
como eram os outros.  não sentindo, pelo menos.
porque já não os vivo agora.
porque agora, eu vivo você.
mas quanto é esse viver ?  sei lá.
é como a música da rita, a maria..

  
'muito pra mim é tão pouco, e pouco é um pouco demais.
viver tá me deixando louca, não sei mais do que sou capaz.
gritando pra não ficar rouca, em guerra, lutando por paz.
mas muito pra mim é tão pouco.  e pouco eu não quero mais!'
E se pouco eu não quero mais, você deve ser muito.
porque eu quero, e quero muito !
então posso tentar ver as coisas do meu jeito.
da forma prática:
o tempo que me toma falando,
o tempo que me toma escrevendo,
lendo, pensando, tentando racionalizar coisas que antes não faziam diferença.
querendo, ver, estar, sentir, ouvir, ter. enfim..
o tempo que me toma da noite, e do dia, é muito.
não faz idéia do quanto!
e se toma o meu tempo. toma por completo. o preenche.
não pela metade, em partes. mas o todo !
penso, então. do que gosta, ou não.
do quanto gosta. o que acharia, disso ou daquilo.
em como reagiria nessa, ou naquela situação.
penso se pensa, se fala, escreve, ouve e sente, como eu.
ou se o faz, mas tudo diferente.
penso em como é estranho, não saber o que se passa aí.
e o que se pensa aí.  agora !
se penso tanto, em tanta coisa, por tanto tempo.
acabo pelo meio disso tudo, pensando nos detalhes.
todos os detalhes. relevantes, ou não.
importantes, ou não.
são eles que me fazem perder tanto tempo, em dissecar, decifrar,
lembrar, sorrir, sozinha!
eles o tornam diferente. dele, daquele, e do outro.
todos aqueles que vc por sinal, já conhece !
único. sem medir, sem comparar.
até porque, comparar diferenças tão gritantes e tão nítidas,
seria injusto da minha parte, da nossa parte. de todas as partes!
mas enfim.  olha agora, quantas linhas eu gastei do meu tempo.
e mais !  olha quantas frases, palavras..
sem contar as zilhares de letras soltas e confusas, emboladas aqui.
todas pra você, por você.
tem noção do quanto é isso ?
consegue contar ? medir ? calcular ? pesar ?
acho que não !
não deve nem se preocupar em perceber os detalhes ridículos de cada letra.
mas acho também que no meio da confusão que vc fez eu me meter,
cheguei a uma conclusão que valha,
tanta coisa, tanto tempo, tanta letra, tanto detalhe passando na mente.
acredito que o meu gostar seja muito.
se não muito. o bastante.
pra não me preocupar em medir, ou tentar explicar, nem camuflar, esconder.
nem nada do tipo.
o bastante pra me fazer bem, só de ser o que é.
só por estar aqui. e o faz !
pois, que seja muito, ou não.
o tanto que eu aguentar.
o tanto que puder ocupar, dos dias, das noites, do todo !
assim, então.  o dia em que eu conseguir medir o tanto do bem,
que você faz pro meu dia, talvez eu volte aqui.
e diga, o quanto eu gosto de você!
mas enquanto isso.. continuo pensando..
e você ? o quanto gosta ?
e,  como vai dizer ?
Vamos brincar ?
Brincar de falar sério.
Brincar de querer,
Brincar de vontade.
Brincar de se entender, de se dar bem.
E ser bem.
Mas poderíamos não brincar, não poderíamos ?
E se fosse sério, como seria ?
Tanto faz. A gente se entende melhor brincando.
E brincamos.
De se conhecer, de se perguntar, de dizer verdades..
que ouvi por aí, 'não se dizem nem brincando'.
Brincamos de brigar, de gostar, de ter e ser.  e somos.
Somos brincadeira, e continuaremos a ser. Brincadeira !
Séria. - ou não -   tanto faz !
Brincar nos faz leves, nas coisas do dia - a - dia,
ou nas coisas de certos dias.
Mas e se eu brincar, então. com as palavras desse jeito.
vai parecer, sério ?  ou vai continuar brincadeira ?
e precisa, por acaso, parecer sério ?
ér,  tanto faz !

E se eu disser que não brinco mais ?
Que por algum motivo, quero ser séria. e fazer ser sério .
vai se importar ?
mas que motivo ?
sei lá !  nem me interessa saber.
Não quero explicar, senão perde a graça.
E a graça, é poder brincar de entrar na casa mal assombrada,
tendo permissão, ou não.
E ficar amigo dos fantasmas. Pra então sutilmente, convidá - los a se retirar.
e tomar seus lugares.
Mas isso é brincadeira que se faça ?  Não tem graça !  - ou tem ?
Ér,  talvez a graça esteja aí !
O tempo todo bem debaixo do seu nariz. Na brincadeira insignificante.. Inocente. - ou não !
Mas qual é , então a tal graça ?
Inverter os papeis, ou tomar cada um o seu lugar ?

Brincar de ser quente, ou só espantar o frio ?
Brincar de ser normal, ou ser só um arrepio ?
Brincar de ser sincero, ou ser coveniente ?
Brincar de ser sério, ou ser a graça constante ?
Ser um todo, qualquer. ou ser o detalhe importante ?
Não faço idéia !  E nem quero.
Só sei, que ser sério sempre,  é  CHATO ! muito chato !
E sem prediletos.
Mas, hein.  tava só brincando ! Não posso ? u_u
Claro que posso !  'Eu posso o que eu quiser !'
Até ver coelhos, se der vontade.  ou só formigas.  OO'
Derrubar os muros,
Arrancar verdades.
Se apossar da casa !
Mesmo que seja, só brincando ! 


Telhados, raios e nostalgia!

Agora a pouco me atentei pra algo em que raramente eu penso: ‘Um dia, por acaso - ou não - o raio, pode atingir o meu telhado!’ Isso foi idéia dele, não minha.
Isso mesmo que você ouviu. Ultimamente temos tido conversas assim. Você sabe, eu e o outro. Algumas conversas meio nostálgicas... Tá, ta, tudo bem, a maioria delas tem um ar de regressão e análises psicológicas do nosso passado. Mas tudo isso de forma muito saudável e principalmente, muito amigável. Eu diria até, muito ‘mimimi’ pro meu gosto.
Mas isso não importa agora.
No geral temos falado do dia – a – dia, das nossas rotinas, das pessoas e de como estamos uns aos outros, e os outros hoje. Às vezes acho essas conversas sentimentalistas demais, profundas demais e falsas demais. Mas isso é só às vezes. Porque na maior parte do tempo ele me parece muito sincero. Como sempre pareceu, aliás. Inclusive enquanto dissimulava me fazendo tão feliz. É, ele é um artista!
Mas isso não importa, agora.
Só queria te atualizar. Te contar que ele tem sido uma boa companhia, e tem me divertido um tanto. E se levarmos em conta a posição a que ele foi reduzido na minha vida, podemos até dizer que esse tanto tem se tornado bem significativo nas ultimas semanas.
Mas não! Não se iluda, é realmente só isso.
Não voltei a ter ‘borboletas no estômago’, ver coelhos na lua, muito menos ver brilhos que não estão mais onde eu costumava ver. Só tenho achado ele boa companhia, por enquanto. Nada além disso. Ponto!
Mas já falei que isso não importa agora!
Do que eu tava falando mesmo? Ah, sim. Dos telhados, meus e alheios.
É, pois ele me fez pensar nesse assunto, que poucas vezes ocupou meu tempo. E se uma pedra caísse na minha casa. E alguma coisa, daquelas coisas que só acontecem com o vizinho, sabe?
E se essa coisa acontecesse comigo?
Sinceramente? Não faço idéia, e nem sei também se quero mesmo pensar sobre isso. É só que me chamou atenção, essa possibilidade. Mas o que eu acho na verdade, é que sempre vai acontecer alguma coisa comigo, então acredito que estarei pronta, caso meu teto resolva desabar amanhã.
Até porque, minha casa já foi por tantas vezes, inundada, demolida, invadida, apedrejada, enfim. A diferença é que eu já terei meus alicerces fincados no chão, quando a próxima tempestade me atingir.
E o que me restará a fazer será catar as roupas do lado de fora, fechar as portas e janelas, me trancar no meu quarto, cobrir com meus lençóis os pés e a cabeça, e abraçada ao meu ursinho esperar o barulho dos raios diminuir. Até poder abrir as portas novamente!
Mas isso também não importa agora.
Porque o tempo aqui ainda é quente.
Faz um sol quase indecente e ainda não ouvi barulho algum no meu telhado!
Como se isso fosse importar agora, né ?

Normais que somos!

 
Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.

Nem metade!

 
...Eu to ótima, e você?
É, eu sei. Andei sumida mesmo. Mas pára com esse drama, você sabe que não é de propósito, né ?
Tive coisas a fazer, muitas na verdade. E no fim não fiz nem metade.
Tive pessoas pra encontrar, que não me interessavam mais. Naão.eu juro!
Uhun, eu sei. Você nunca acredita.
Tive também, compromissos à cumprir, promessas à fazer, e sentimentos pra cuidar.
Não fiz nem metade de tudo isso !
E to bem, viu ? Mesmo!
Andei meio aérea nas últimas semanas.. Meio enjoada, sem sono, com dores,ou sono demais.
Achei que fosse pegar a tal virose, que tá na moda. Mas até nisso, eu sou fora de moda.
Não peguei !  Ah, pode rir.. Nem ela eu consegui pegar?  Ótimo !
Saiba que eu estou muito bem assim. Fazendo planos, e desejando muito.
Muita coisa ao mesmo tempo, sabe ?
Mas feliz,  ueé.
Tenho até sonhado, viu ?  Não que eu ache isso MUITO bom.
Porque por causa desses sonhos eu acabo não dormindo muito. (quase nada,na verdade).
Alguns são bons, outros ótimos, outros horríveis.
Mas uma coisa eé certa. Todos,  sim,  TODOS me deixam perturbada.
Meio atortoada, sabe ?
Não to acostumada com isso.  É muito estranho, sonhar todos os dias, pô.
Estranho e desgastante. Como as pessoas conseguem ? Me diz ?
Ãaahn,  claro que eu senti a sua falta!
Mas não morri, tá vendo ? Nem você !
E amanhã, eu acho que eu apareço, e a gente conversa mais. - ou não.
Vai depender do meu humor.
Ele tem oscilado um pouco ultimamente. Mas eu gosto disso . De verdade !
Me faz pensar em todas as coisas que me cercam.
E em tudo o que eu tenho pela frente.. e não tenho a mínima vontade de levantar da cama.
Tá, eu sei. Meio dia, mas e daí ?
Tinha tanta coisa planejada pra aproveitar que não choveu nessa manhã.
E nem comecei.. Imagina se  fiz alguma metade !
Nem em sonho !

Que graça?


 
Suponho que entender você não seja assim, tão complicado. Mas só suponho.
Aceitá – lo é que é difícil!
Aceitar que ele, ao contrário do que me ensinaram, é completamente diferente de você.
Nos gostos, desgostos, no gostar.
No ver, ouvir, sentir, pensar, falar. Concordar, ou não.
Somos completamente diferentes. Eu falo de nós dois.
E quando percebermos isso deixaremos de entrar em conflitos inúteis, porque vemos as coisas por ângulos opostos, ou porque nossas opiniões divergem, sempre e muito !
Mas se assim não o fosse, que graça teria você, ou eu?
O convívio seria quieto, ou agitado em demasia.
Se fossemos mesmo ‘todos iguais, braços dados ou não’... De nada valeria conhecer ele, você, o de ontem, o do ano passado, ou o de amanhã. Porque já saberia o que encontraria.
E se não gostei de você, não gostaria mais de nenhum.
E olha, que graça teria você, se fosse exatamente igual a mim, e a todos os outros?
Imagine então, uma rua, em que todas as casas fossem idênticas.
Formas, cores, telhados, portas, e interior tudo igualzinho.
Que diferença faria, morar nessa, visitar aquela, admirar a outra, ou entrar para conhecer a de lá?
Que graça teria a minha casa pra você, se fosse completamente igual a sua por dentro?
Quando entendermos que eu não sou obrigada a te dar razão sempre, cada um vai conviver em paz com a sua razão, ou com várias delas, e se quiser, sem nenhuma razão. Exerceremos, então o respeito à verdade alheia.
E vamos achar as coisas diferentes umas das outras, e essa será a graça. A nossa graça, estando juntos ou não!
Mas entendamos então, que as verdades de cada um são incontestáveis, e ponto final.
Mas são incontestáveis só pro cada, ou só pro um.
E ninguém além de nós, tem nada com isso!
Ninguém é obrigado a aceitar como verdade tudo o que há no outro. Repito, tudo seria muito mais fácil se entendêssemos que somos completamente diferentes. E que não adianta esperar que ele, ou ela tome as mesmas atitudes que você, ou eu. Ou que devolva na mesma medida a sinceridade da qual você dispõe.
A reciprocidade é uma coisa minha, não dele, ou daquele outro. Talvez alguém mais a considere importante, mas entendam vocês, ou não isso nunca virá nas mesmas proporções. NUNCA!
E esse é o princípio de todas as frustrações – ou quase todas – achar que qualquer um à sua volta vá ter a balança regulada como a sua. E quando não tem, tentar ajustar, enquadrar, equilibrar as medidas e as prioridades dos outros de acordo com as suas.
É importante que entendam: Não, isso não funciona! Pelo menos pra mim.
O que talvez dê pra encaixar melhor é a tolerância e a consciência de que o seu espaço, termina onde o meu começa. Eu sei, eu sei, isso é bem clichê no estilo ‘ditado popular’. Mas se levássemos isso a sério, teríamos menos problemas de convivência e menos relacionamentos cairiam em ruínas depois de algumas opiniões divergentes. Não acham?
Não?! Tudo bem. Ninguém é obrigado a pensar como eu! Essa é a graça!

Provável certeza.


O provável é certo.
Maior certeza de amanhã.
Improvável que saiba o que fazer. Nem quero.
Sem paciência pra escrever. Só passo o tempo.
Mas sequer o possuo de fato. Apenas provavelmente.
Provavelmente irá chover.
Mas se me molhar o rosto, a gota fria da chuva.
Terei o fato, escorrendo pela minha pele.
O fato é surdo. Só fala. Ou mais:  Grita !
O concreto, direito, certo !
O esquerdo é incerteza provável.
Trêmulo, inseguro.
Tímido e escuro.
Não procuro um farol, um porto.
Se tiver comigo, a minha própria lanterna de segurança.
Me viro bem, e consigo superar, qualquer escuro provável !

Falando em sonhos


 
Inspiração à noite, é pra quem sonha.
Quem não o faz, tem na noite o peso do cansaso,
pra descarregar.
Por na ponta do lápis o confuso sonho de ser além do dia,
ir além da noite.
Ser mais. e fazer por si,
o que o sonho não faz!
Sonhar não é pra mim.
Sonhar é muito pouco, muito fraco.
Fracasso !
Tentei lembrar do sonho de ontem, mas falhei.
Sempre falho.
Só lembro que sonhei.
E isso quase nunca acontece..
Mas 'nunca' é tempo demais, e o 'quase' é muito incerto.
Não é fato.
E nesse intervalo, sempre acabo me perdendo.
Mas relevo!
Procuro as palavras certas, mas elas somem.
Tudo some !
Então, uma hora dessas, vou tentar sonhar.
Pra você vir, e me contar suas histórias.
Ou talvez, devolver meu sonho de ontem, que você insistiu em roubar.
Enquanto eu dormia, sem sonho algum.. não mais !

Saudade de Brincar

 
Eu, aqui.  parada, olhando.
porque ?
que direito tem você ? quem é você ?
pra ter tanta convicção. e jogar toda ela na minha cara..
atirá - la , cuspi - la toda em mim ? quando menos preciso dela.
o que sabe de mim ?  de viver ?
porque tem tanta vontade de futucar onde mais dói ?
de inflamar, a cicatriz. pisando em cima.
e depois, joga o alcool, deixa arder e vai embora.
simples assim.  ileso, e inteiro. dono de si !
lições de sabedoria, claro... e eu nem tenho o que dizer.
fico só olhando. e sim, óbvio.
tudo pro meu bem !
lembro agora do tempo em que brincávamos.
e sim, era muito melhor !
que saudade de quando eu escrevia aqui,
sobre como eu me sentia, sobre o que eu fazia, ou queria.
mas só de brincadeira !

Bagagem

 
Assimilo, desasossego, descomplico, desajusto.
Não entendo, nem preciso.
Não o julgo, e não complico.
Critíco, mas não o forço.
Deixo quieto, e o faço vento.
Encontro a medida. Desmedida perfeição.
Da hora, da calma e contramão.
Não pretendo, nem poderia.
Entender, deixar ir.
Livro - me, e o livro.
Gestos, leio, livro, livre.
Gosto, vejo. Veja bem.
Penso, sinto, ouço, calo.
Não falo, nada falo, nem podería.
Agir, fazer, ir, ou ficar.
Prendo, solto. Salto livre.
Digo, antes. Depois, penso.
Nada. Quieto!
Muda tudo. Muda todo.
Toda parte. Muda.
Silêncio, parado, calmo.
Paciência, foge !
Se esconde, corre !
Não alcanço, não tento, não mudo.
Freio, brusco, falo mudo . Frio.
Se mudo tudo. Eu calado.
Surdo, cego, sem tato.
Creio, crio, criado mudo .
Desembaralho, desmancho, desfaço, disfarço.
Fecho, durmo, sonho.
Sou como devo:
Repouso complicado, justo, incomparável.
Ser !

Confusões. (PARTE II.) -

Fim do dia:
descarrego a euforia, a frustração, a energia.
seja o que for. ponho pra fora.
choro, pra dormir melhor.
sem motivos, ou com muitos deles.
confusos ou claros, não faço idéia.
só choro. mas não quero usar essa palavra.
é pesada demais, melancólica demais, deprimente demais.
e eu não sinto assim, não vejo assim, não choro assim !
penso que o choro, esse do fim do dia, do travesseiro .
é como a chuva no verão. é, eu acho !
não faz frio.
mas num calor intenso, e escaldante de sentimentos distintos.
chove. e você dança. sorri e dança !
refresca a alma, lava a pele, limpa e abre os poros do coração e da mente.
leva o que tem de bom, e o que tem de ruim.
como brisa, soprando levemente na pele já molhada.
não choro feliz.. mas não choro triste, desespero, angústia.
Não mesmo.
choro a calma, o vento a alma.
chorar faz bem.. e.. MEU DEUS !
a quanto tempo, não chorava assim ?
por nada, por tudo.
sorrindo, boba!
enquanto a lágrima monta em meu rosto um retrato novo.
sorrindo boba!
por chorar tão calmo, tão manso, tão só, tão feliz.
ou não !

SUBORNANDO ESPELHO...

-
Você já se olhou no espelho hoje ?
O que você viu ?
A si mesmo. como você é !
Talvez tenha visto umas rugas e imperfeições.
Talvez tenha visto toda a sua beleza. por fora !
e ter ficado horas se admirando, e pensando no quanto é perfeito.
o espelho não pode ser subornado.
Não altera o que reflete..Mostra o cru.
Mostra você, exatamente como é.
Nos mínimos detalhes. Bons, ou não !
Não adiantaria nada, negar o seu nariz torto,
ou suas cicatrizes na pele, se essa for a sua verdade.
O espelho mostra a sua real aparência, quer você queira, ou não !
Mas e se agora, então, parássemos em frente ao espelho,
e olhassemos para dentro.
Com as lentes cruas, ou cruéis da verdade.
do que você é. O que veríamos ?
Em frente ao espelho , você não tem como fantasiar o que sente.
Pois ele te mostra o que tem por dentro, o que está por trás.
Por trás do sorriso 'amigo'.
Por trás do gesto nobre de carinho.
Por trás da admiração.
Por trás de cada ação está o que há na realidade.De verdade !
Podemos maquiar a intenção. Mas ela está lá.  nua e crua.
Se revelando no tom da sua voz,
Sendo espelhada nos seus olhos, a vontade dominante e seca.
E por mais que você negue.
Ela é nítida, cristalina contínua, na sua sala de espelhos.
E salta para fora, sempre que você se olha.
E irá aparecer quantas vezes for.
Nunca a maquiagem se sustenta, resiste !
Porque quando você se despir, e parar em frente ao seu espelho particular, interior,
É ele que você verá. O seu segredo. O seu escondido.
O seu íntimo desejo. Controlado. Dissímulado. Entrelinhas.
Mas real, e tao verdade e fulgás...
Que te consome, domina, e alimenta.  Tira o sono, a paz !
São possibilidades, ou não ! Só você sabe.
Você e o seu espelho.
Mas e se eu te disser que a cada frase dita em frente a esse espelho,
cada palavra de verdade nua,
Eu estava aqui, do outro lado da lente.. vendo tudo por dentro ?
O que faria ? Quebrar os espelhos ?  inútil.  já vi tudo !
E então, hoje, qual é a verdade ?
O seu espelho vai te mostrar.
Já olhou para ele nos últimos minutos ?
Nas últimas palavras ditas, soltas, transbordando suas verdades incontrláveis ?
Pois agora, eu sou um espelho, e por mais tentador que possa parecer..
Não aceito subornos. Não mais !

IDÉAIS.

...fogem.
mudas, correm.
gritam e se escondem.
brincam !
soltas, caem.
saem. voam.. voltam.
somem. dormem !
eu não !
fico acordada com elas
me despertando a cada tentativa de cochilar.
ACORDAM.
me acordam. pulo num salto.
sobressalto!
tonta, cuspo. idéias voltam.
voam. caem. levantam.
dão voltas.
cabeça roda.
e as idéias ficam !
insistem, confundem.
e fogem !

Confusões. (PARTE I.) -

 
Acordei hoje, atônita.
num emaranhado de pensamentos, sonhos, medos.
querendo por tudo pra fora. cuspir de uma vez só !
sabe esses dias, em que a gente acorda achando demais ?
achando que tá angustiada, achando que tá irritada, achando que tá chata..
mas que nada. o que acontece é que às vezes acredito em 'inspiração'.
que te pega num dia, e larga no outro.
exatamente assim: hoje, te preenche, ocupa, faz o que bem entende.
mistura tudo, confunde. te faz querer por tudo na ponta do lápis..
com uma urgência quase indecente.
e amanhã, simplesmente some. desaparece, no normal do seu dia.
mas que me importa ?
'o importante é se sentir bem..' enquanto tiver.. éer.
deixa pra lá ! e ri !
ri sozinha, e por nada. você nunca o fez ?
mas que merda você faz da vida, então ?
aliás. não me interessa.
tenho a minha vida, pra fazer algo.
e ainda to pensando o que.
é, verdade. sentada uma hora dessa da manhã.
falando besteiras e rindo sozinha. exatamente !
sozinha ! enquanto penso o que vou fazer da vida.
mas que me importa ?
minha vida se faz por ela mesma. não precisa das minhas decisões.
as ações são involuntárias, e os erros uma certeza incontestável !
mas pra que contestá - los ? esse seria o maior de todos !
então deixa pra lá. não quero falar sobre isso !
isso é muito sério pro meu estado de espírito atual !
na verdade nem sei do que quero falar.
penso tanta coisa ao mesmo tempo. e acabo apenas tentando.
tentando limpar um caminho em meio às tolices.
que cuspo aos montes, por não ter nada melhor pra fazer.
ter até tenho. mas não julgo que seja melhor !
hoje o dia, tem indícios de sol forte. em mim, pelo menos.
e não pretendo desperdiçá - lo. pensando se queimo ou não .
mas que me importa ?
os outros que usem protetor. se é que isso funciona !
não tem como esconder a pele do sol.
ele vai queimar de qualquer forma. esquentar.
e apesar do calor ser incomodo, é uma delícia.
apenas sentir o sol na pele, aquecendo. dando vida ao dia.
pelo menos ao meu !
talvez seja egoísmo da minha parte.
mas que te importa ?
o egoísmo é a forma mais sadia de gostar de si mesmo!
quem disse ? eu, oras!
e há de se concordar, que tudo isso não é tão besteira assim !
não de todo, pelo menos !
e aquilo que não é tolice. de alguma coisa vai te servir.
mesmo que seja só pra rir, e sozinha !

Por uma amiga..

' Estou me rasgando inteira de desespero. Grito em sussurros mudos a mais incontrolável melodia de não ser quem finjo. Quem é essa coisa seca que sorri o meu sorriso no espelho? Quem é essa pessoa meio viva, meio andante que está dublando as minhas falas pela rua? Por que vejo outro alguém emaranhado debaixo das minhas roupas? Cadê eu que me perdi em alguma esquina dentro de mim? Tudo o que sei é que me soterrei na queda das minhas próprias torres e sentei naquele canto escuro para observar a minha demolição. Me deixei perder. Estou perdida! No labirinto mais interno que criei pra fugir. Eu fugi depressa demais. Fugi de medos que deveriam ter sido enfrentados, mas não sei voltar. Me ajudem. Fantasmas me agarram, me puxam, me prendem, me sufocam, me levam... A ondas me levam... Me afogo em sensações de outra pessoa que hoje, sem razão, dei pra sentir. Essa frieza toda não é minha, juro. Eu costumava ser quente. Eu costumava ser viva. Mas não sei voltar. 

...De Volta!

andei pensando. revendo coisas..
tentando sair do labirinto, me achar de volta !
e acho! no fundo sempre acho.
depois do medo, da angústia, e da desconfiança, encontro.
aquele gostinho de 'vontade'.. aquele fio de expectativa.
aquela vontade de talvez me iludir, de entregar os pontos.
a expectativa, de que pode ser bom.. ou que posso cair de novo.
ér.. tá aí. acho que no fim das contas o melhor de tudo tá nisso.
em aproveitar tudo o que tem, tudo o que pode ter, ou que tem mesmo sem poder..
sabendo que vai cair, querer cair. sentir o vento frio dentro da barriga,
a ansiedade que precede a queda, e querer ser consumida por essa ansiedade.

cair é bom.
é como se você pudesse voar, lentamente .. sentindo cada parte do seu corpo estremecer. e estremece, arrepia, entra num estado de agonia tão feliz, tão seu !
viver sem isso não tem graça, não tem cor.
dá pra sentir, o oco. o vazio de saber que não vai cair.
tá tudo tão seguro, tão seco, sem sentir medo, nem gostar.. insoso !
mas no fim das contas, sempre encontro o desejo, de fazer valer a pena.
de sentir, de falar, de tocar, de chorar, sorrir, arrepiar, e por pra fora.
tudo em dobro, ser recíproco é o sentido de se ter dois.
duas pessoas, dois desejos, duas reações. essa é a intenção.
se só uma sente, perde o sentido !
e se há certeza demais no outro, certeza de não sentir, de naão fazer diferença.
então o que esse 'outro' faz vivendo ? já que a morte é certa !
mas olha, no fim das contas onde eu vim parar ?
ainda lembro como é sentir, como é ser quente e serei. basta querer !
achar o caminho de volta, do labirinto que me perdi, e no fim caindo ou não.
saber voar.. e o melhor de tudo. é que quando cair,
terei a sabedoria pra aguentar a dor da queda, do impacto..
que veio do tempo que estive de repouso, repouso absoluto.
mas hoje, me dou alta. e volto a suubir.
e se o topo for frio, e me machucar. dane - se !
me jogo de volta, e vôo !
e agora, tendo lido tudo isso. sorrio e só.
vejo que é bom, poder lembrar como é ser quente !
e saber que EU fui assim, e serei !