quinta-feira, 29 de abril de 2010

Você nunca faz o que diz.

'Você nunca faz o que diz'... exatamente assim, ele atacou. e então eu pensei:
'Eei, como assim ?'
Eu nunca digo.. ou pelo menos tento!
Justamente pra não ter que ouvir esse tipo de coisa, prefiro nunca dizer, nada. nunca!
Se tiver que ser feito, e mais.. se eu quiser fazer, eu vou lá e faço. ponto !
Muito simples, não ?
Porque então ele me disse isso ? Se eu faço exatamente o oposto. - eu acho!
Por uma besteira, um detalhe.
Era uma conversa insignificante, como todas as outras. De todos os dias.
O dia inteiro, tarde, noite, madrugada.
Nem lembro que horas eram.. só sei que era uma conversa de rotina.
Como as outras!
Alguma histórias alheias, ou nossas.
Algumas opiniões sem importância, mas que ainda assim são indispensáveis..
Algumas brincadeiras antigas, ou novas.
Promessas, mais antigas ainda.. ou de ontem à tarde.
Cobranças, mas não aquelas cobranças inssuportáveis, de gente chata, que você resolve bloqueando, sabe ?
Dívidas que eu fiz por vontade própria. e com toda boa vontade !
Que eu quero, de verdade, pagar. e logo!
Mas você sabe, não sou tão bem provida de memória assim.
Até, tento. Juro que tento. Mas sempre me escapa. E ele sabe !
E, acabou a conversa normalmente como todas as outras.. Mas isso, que ele disse no início, ficou !
E eu salvei, aqui !
Guardei a frase: 
'você nunca faz o que diz'.
Que peso pode ter isso na vida de alguém?
Era de brincadeira, por besteira. Mas eu pensei..
Imaginei alguém, que fala demais.. e nunca cumpre.
Fala de tudo, e não sabe de nada. .
Reclama de tudo, e não faz nada por isso.. 

E por falar em reclamar, lembrei que tenho um problema.. eu reclamo demais !
Reclamo que não tenho o que fazer, quando tenho milhões de promessas pra cumprir.
E tento então, me lembrar com quem mais eu devo estar em falta, com besteiras como as dele.
E chego a conclusão que acho que é só com ele. Mas eu só acho.
Não tenho como ter certeza, porque se tenho dívidas com mais alguém, não lembro agora !
E não lembrarei, até esse alguém vir me cobrar.. como ele faz todos os dias, rindo.
'você me explora demais!', eu devolvo.. mas agora vamos analisar:
'você nunca faz o que diz'.. então ele não tem como me explorar, porque eu não faço o que deveria fazer.
E rio disso. sim, são besteiras. todos os dias surgem novos compromissos.
Surgem e vão sendo adiados. até mais tarde, até amanhã, até semana que vem, até quando ?
E eu rio. claro, não tenho pressa.. nem ele !
Temos todos os dias, pra adiarmos, e rir !
Mas eu prometo, eu vou cumprir minha palavra. não sei quando, mas vou.
E olha, já estou falando demais.. ficarei calada.
Pra ele não vir me dizer de novo. que eu não faço o que digo.
Aliás, que eu 
nunca faço o que digo, foi o que ele disse. não posso esquecer do 'nunca'.
Ele grita, na 'acusação' ! Mas eu não me importo.. só rio !
Não o ignoro.. eu o vi, 
vi. e vejo presente na sua afirmação.
Mas deixo ele quieto. Não gosto de dizê - lo.
Na verdade, não gosto de dizer muita coisa.. e por isso, procuro calar.
Mas ainda assim.. hoje eu acordei ouvindo ele falar, em alto e bom som:
'você, nunca faz o que diz!'
Mas e daí ? Isso faz diferença pra você ?
Ótimo, nem pra mim ! 

Sonhos..

hoje eu acordei mais cedo, e fiquei tentando decifrar.
os sonhos que eu não tive. e que ficam vagando na minha mente,
em idéias vagas, que me acordam a noite.
me acordam e ficam me pirraçando, num jogo sujo.
sem me deixar dormir, muito menos acordar.
então, porque ?
tenho que medir minha noite, em vezes que acordo,
lembrando que eu tenho que fazer isso, ou aquilo,
pensando que deveria ter feito isso, dito aquilo outro.
pensado melhor em tal possibilidade, e ter arriscado esse ou aquele instante.
tomado atitudes, desistido de outras.
mas enfim, analiso meus dias. e olho o que fiz de mim.
não mudo nada, ainda. as minhas verdade são pra mim, quase que certezas.
mas só quase, e às vezes. mais nada!
porque se o fossem o tempo inteiro tão convictas..
que graça teria ?
pensei ontem, que se eu não deixasse pra lá, aquele stress de dias atrás.
ele ia me perseguir, e me tirar o sono até hoje.
e isso lá é vida ? claro que não.
pensei também, que se eu olhar de volta, nos meus espelhos antigos..
verei que sendo o certo ou não. tomei as decisões mais sensatas até hoje.
mesmo sendo erros. tolices.
mas de qualquer forma, é sensato.
sim, claro. porque me fizeram feliz, no momento em que as tomei.
e fazem, se as toma com a sua certeza.. aquela do 6º sentido.
que só faz sentido pra você. ou talvez nem fazem.
e a sabedoria de medir os riscos, e as chances de acerto.
mas medir, só pra ter uma idéia, estar preparada.
não para freiá - las bruscamente, ou ignorá - las .
ouvi, um dia desses algo que tinha a ver com o 'ser feliz'.
acolhi a idéia , e a amadureci em mim.

no que deu ?
'ser feliz, é um estado de espírito. ou você o vive no exato momento em que acontece.
ou o perde.. passa a vez. deixa pra a próxima.'
quando será a próxima ?
hoje, amanhã, daqui a pouco, semana que vem.. ninguém sabe.
nem precisa. basta sentar e esperar.
mas que merda, hein ? esperar sentada pelo seu próximo 'ser feliz' ?
claro que não. se vc não o faz.. não o cria, nem dá possibilidades de acontecer.
ele não existe, não virá. e talvez você nem sinta mais a sua falta.
não o viva.. deixe passar despercebido. e fique só olhando os outros,
sendo felizes a cada minuto, porque no minuto passando..
não se preocupou em nada além de se fazer feliz, e sempre !
já pensou nisso ?
e então. o que você faz pelo seu dia ?
pensa a noite ? ou acorda cedo só pra pensar ?
mas olhem, acabo de viver um momento em que sou feliz.
extravaso, num sorriso bobo, infantil.
meus sonhos, e pensamentos mais ingênuos, simples.
e o deixei passar. parada e quieta sorrindo apenas com os olhos.
paro, então. não sei mais o que dizer.
acredito que não tenho mais o que extravasar, pelo menos por enquanto.
só me resta esperar, fazer vigília na varanda..
esperando meus sonhos aparecerem de volta, e pararem de me acordar às 6h da manhã.
vigília nada. vou voltar a dormir.
afinal, acordei cedo demais pra a vida que eu levo agora.
e estou perdendo preciosos minutos do tempo que eu perco dormindo toda manhã !
quanto a você, que sonha.. parabéns.
não é legal pros olhos,acordar tão cedo pra colocar os sonhos pra fora,
e pensar na vida.. se eu tenho o dia todo pra isso. ou a madrugada !
mas de qualquer forma, de qualquer sonho, ou de qualquer pensamento.
que se faça feliz, o momento. seja ele qual for. e seja ele com que sonho for .
aaaahn! só mais uma coisa. lembrem - se de acordar a tempo.
afinal. alguém precisa realizá - los, a qualquer tempo !

Cansada.

..das angústias, das memórias, das dores, dos problemas.. dos outros.
quero agora os meus. meus temores, minhas dores, minhas flores, ou espinhos.
sentir o formigar da insegurança corroendo por dentro..
poder parar.
abaixar o livro, ver as letras e não conseguir montar uma frase que tenha lógica.
percebo então, o que estou fazendo, ou não estou..
perdi a concentração e estou devaneando, pensando, lembrando.
e então. sinto em mim, a ansiedade consumir. a dúvida, se apossar dos meus minutos,
levá - los embora.
tinha esquecido o quanto era doce, e angustiante.
poder não imaginar, e ouvir, apenas.
mas sentir. e sinto . é meu! se faz bem, ou não pouco importa !
é como um choque, ver que agora, não tenho todas as respostas.
ver que acabo de perder no mínimo 40 minutos da minha tarde,
e algumas páginas do meu livro, simplesmente pensando, voando..
vejo que, não sou prática, não sou lógica, nem racional.
sou bicho que lembra o cheiro da carne e fica empertigado..
sou agora, talvez coração.. e porque não ?
é o que quero, agora. e quero muito !
cair ! mas cair ?
bobagem.. levanto, como sempre.. e se vai valer a pena..?
pouco me importa. estou sim, disposta a descansar .
descansar da certeza, que me dominou por todo esse tempo.
que me prendeu, amarrada aos pés da mesa.. onde me mantinha segura e equilibrada.
mas na verdade, estava amarrada, ao meu medo.. ao desequilíbrio de não sentir nada alheio à minha casa.
meu casulo.
procuro a porta da frente, e abro !
começo a olhar à volta, a rua é escura e não me lembro ao certo..
por onde começo a andar.. mas saio, e ando !
como eu volto, não sei.. nem me interessa saber agora.
o que me faz bem agora, é ir andando, com o vento no rosto e a sensação de ser humano, normal, e frágil.
mas, e se eu me cansar de andar, de cair, de sentir arder as feridas magoadas com a raladura da queda ?
simples:
paro, sento em algma varanda vizinha, faço um curativo.. e descanso !

Feliz..

O vento que bate levemente sobre meu rosto em uma tarde de inverno, bagunçando totalmente o meu cabelo, e os deixando extremamente rebeldes, só me torna mais feliz, pois são momentos como esses que a gente para pra pensar em como a vida é boa, em como somos alegres, e é só em momentos como esse que a gente consegue ver além da imaginação, que a gente consegue realmente sonhar coisas ótimas, e só momentos assim fazem da nossa vida uma inspiração que pode se tornar uma historia, uma bela historia, tanto de romance, como um drama, mais um drama com um final feliz, só sei que nessa tarde de inverno, só nessa tarde de inverno, eu percebi o quanto eu tenho amigos maravilhosos e que nada pode me derrubar, porque eu sei muito bem o quanto é bom ser eu mesma.

Vienna

 
Depois de uma briga, ele saiu. Ela ficou sentada na cama, chorando. Ele entrou no carro, ligou o som e começou a tocar Vienna. Seria o fim de um relacionamento conturbado e repleto de discussões? O que eles precisavam falar se calou. O que ela queria ouvir ele não disse.

Ela levantou, foi até a janela, o carro ainda estava lá. Fechou a cortina, foi ao banheiro, lavou o rosto com água gelada, olhou no espelho, viu sua face pálida com os olhos vermelhos e as gotas das lágrimas derramadas se misturando com as gotas de água. Chorou mais. Doía muito, e só ela sabia a dor de todas aquelas brigas, a dor do abandono, a dor das palavras ditas e do medo. Medo de perdê-lo por mais uma vez, por que a cada nova briga ela sentia que um pedaço de suas almas se desunia.

Ele ligou o carro, enquanto ouvia a voz de Isaac Slade e percorria as ruas escuras daquela noite fria, pensava nela, em tudo o que tinham vivido juntos, pensou no que disse. Ainda via os olhos dela cheios de lágrimas, escutava a sua doce e delicada voz pedindo para que ele parasse, pois não aguentava mais. Percebeu então, que naquele momento a havia perdido para sempre. Nunca em uma briga ela tinha pedido para ele parar, nem mesmo havia chorado em sua frente.

Ela estava sentada no sofá, na televisão assistia a algum filme estapafúrdio com atores excêntricos e desconhecidos, pensava nele e em como ele era grotesco. Como poderia ela ter sofrido tanto, todo esse tempo?
O amor que pensava existir, não existia. Era costume. Muitas vezes quando se convive muito tempo com certa pessoa, pode acabar confundido “amar” com “acostumar”. Ele tinha sido seu primeiro namorado. Quatro anos de desentendimentos, palavras rudes e por poucas vezes o amor que ela buscava, que ela merecia.

Ele telefonou, ela atendeu. Silêncio por alguns instantes...
- Você nunca atende tão rápido – disse ele.
- Hoje é diferente – respondeu ela.
- Não vai mais ser como antes, não é? – continuou ele.
- Não sei se você me ama, já não sei mais se existe amor entre nós. Mas tenho certeza que eu não o amo. Acabou, e não insista – ela desligou. Não havia mais lágrimas para derramar. Sorriu.

Pela primeira vez, ele chorou.

“Talvez em cinco ou dez anos nós nos encontremos novamente. Quando a coisa toda estiver certa. Talvez então a necessidade de honestidade não seja temida como um amigo ou um inimigo. Esta é a distância e esta é a face do meu jogo.”

Nesta noite, Vienna era toda para ela.

Um cappucino quente,por favor!


Sinto o vento gelado arranhar minha face, cortar meus lábios e rasgar minha alma. Permaneço sentada. O banco está gelado, a praça vazia, uma tarde de sábado com o céu prata acinzentado, inverno rigoroso. Sinto-me só, meus amigos foram embora, ainda não encontrei o amor... Ou ele não me encontrou? Amor. Pequeno detalhe que faz uma enorme falta. Levanto, caminho em direção à igreja, não me recordo qual foi a última vez que lá entrei. Volto a andar, sem rumo, sentindo os primeiros pingos da chuva caírem ao chão. Entro em um Café, há duas moças no balcão, um senhor de terno azul, lendo algum jornal da cidade e escuto uma música tocar no volume mínimo... Hold me tight. Na última mesa um rapaz, de óculos, toma seu café, suavemente desce a xícara até o pires e coloca mais açúcar. Sento-me uma mesa antes da sua, ele me olha por um pequeno instante e continua a adoçar o café. Uma das moças do balcão vem até mim e pergunta o que desejo. Peço um cappuccino. Não consigo tirar os olhos daquele rapaz, cuido todos os seus movimentos, a maneira com que ele mexe o café com a colher, o modo como morde os lábios após tomar um gole. Ele me olha, disfarço, ele sorri, quase morro, sorrio timidamente. Tenho a mania de tentar entender as pessoas, mas nesse momento não consigo entender-me muito bem. A moça traz o meu cappuccino, agradeço. Um cappuccino quente em um dia de frio é capaz de aquecer um coração gelado... Acredite. O rapaz levanta, está usando uma camiseta branca, escrito “Oasis” em preto, ele é magro, pega seu casaco que está sobre a outra cadeira, veste-o, tira uma touca do bolso e a coloca. Olha para mim, se vira e vai ao banheiro. Parece que nascemos um para o outro, fico imaginando nós dois juntos de mãos dadas indo ao cinema... Estranho, não sei nem ao menos o seu nome e já vejo um futuro entre nós dois. Ele volta, eu estremeço, passa ao meu lado e deixa um bilhete cair lentamente sobre a minha mesa. Não tenho coragem de ler. Fico parada feito uma tola, olhando um retrato do John e do Ringo abraçados, que está na parede. Olho para fora através da vitrine e vejo-o atravessar a rua. Leio o seu bilhete... “Oi, meu nome é Max, sei que o seu é Giovanna, sei também que é estudante de Direito, pois estudamos na mesma universidade, porém faço Música. Venho todos os sábados aqui, no próximo se quiser me acompanhar... Ficaria mais tranquilo, por que se caso não aceitar meu convite... Morrerei de vergonha e terei que mudar de cidade.” Levanto e pago o meu adorável cappuccino, que conseguiu a façanha de esquentar meu peito e me trazer uma pequena alegria de viver. Agradeço sorrindo, e até sábado à tarde.

Frio

Me abrace, me abrace forte e apertado, não tenha medo, não fuja. Fique mais. Eu preciso... Preciso ouvir a sua voz. Vamos juntos para qualquer lugar longe daqui, onde os dias não terão fim e os nossos beijos serão intensos e sem medo, se entregue verdadeiramente. Feche os olhos e se apóie em mim, não minta. Para cima, se está deprimido, olhe para cima, eu sempre estive aqui e sempre vou estar. Não, não se deixe levar pelo caminho obscuro, eu sou a sua luz e vou fazer de você o melhor, eu amo você. Olhe a chuva comigo e aprecie a sua beleza, um dia nublado não vai lhe causar dor, durma ao meu lado. Podemos ir longe, podemos ser únicos, tente outra vez. Pegue a minha mão, o inverno está chegando e eu vou ser o seu aconchego, vou lhe segurar firme e cuidar das suas cicatrizes. Posso aquecer o seu coração, é só lembrar que tem um. Não destrua-nos, acredite... Creia sempre no amor. Viva por nós. Ame. Acredite na primavera e nas flores. Não seja frio.



Me esqueça...

Porque sinceramente... Não lembro mais, nem se quer penso nisso, e ainda retornas com a mesmice de sempre... Perguntar se tenho sonhado com você? Já não faz o meu tipo há muito tempo, já não mais recordo os nossos momentos. Então não adianta fingir que sou eu a enamorada da história, pois é você, que não vive, não respira sem as minhas palavras, precisa de mim para sobreviver? Está claro, todo o seu coração me pertence... Cedo ou tarde viria à tona, grande besteira não jogar isso para o alto e seguir com a sua vida, mas até já acostumei, sei que sou o motivo pelo qual seu pulso pulsa e seu diafragma contrai, sei que seria capaz de matar e morrer por mim, mas achar que sinto ciúmes de você... Aí é o fim.



Perfeitos

Éramos mais que um inteiro, éramos uma só alma, um corpo único. Significávamos muito um ao outro. Você era um anjo que me fazia sentir nas nuvens, era um príncipe de contos encantados, tudo parecia ser um sonho e ao mesmo tempo era tão real. Cresci ao seu lado, aprendi a amar e respeitar os sentimentos. Você descobriu que também podia amar e ser amado, eu sei disso. As horas que passei junto a você se tornavam segundos, pois não podia ver o tempo passar, seu olhar me hipnotizava, seus lábios me chamavam e eu permanecia com a respiração lenta, quase parando. Ainda lembro, mas lembro como se fosse hoje, noites que não conseguia dormir pensando em você, a insônia era minha única companhia nas madrugadas em que os meus olhos não se cansavam de olhar nossas fotos, aqueles minutos eram intermináveis para mim, não havia razão se você não estava ali. Quando eu via você se aproximar, meu espírito se desprendia do corpo, minha boca secava e tudo ao redor se apagava. Só via você, só sentia você, sua voz me trazia de volta ao normal. Seus graves misturados com os agudos que apareciam somente na metade das frases, eram como melodias suaves aos meus tímpanos. Seu perfume era de um doce forte que entrava em minhas narinas e se inalava ao meu sangue, seus gestos simples, seus traços marcantes, seu abraço gentil e o seu sorriso que me soava como um “eu te amo”. Éramos perfeitos um para o outro, éramos felizes, tenho certeza disso. Mas acabou. Não consigo entender... Talvez não queira entender. Não há porque razão de aceitar isso! Tudo era tão divino e puro, um amor tão justo e leal, pelo menos de minha parte... E acreditava que de sua também. Sim, tenho certeza que tudo foi sincero, mas sempre acaba. Não, realmente não penso assim. Acredito que se chegou ao fim é porque não era você o verdadeiro e sincero amor. Você não era o meu destino. Por isso hoje vivo perdida a espera de algo que me traga a esperança de poder amar novamente. Nada mais importa, nada mais faz sentido. O que passou eu já esqueci ou pelo menos finjo.



Nostalgia.

Caminhar ao seu lado, pegar na sua mão, segurar firme, te abraçar. Olhar nos seus olhos, observar o movimento dos seus lábios, sentir o seu beijo, ouvir “eu te amo”. Era tudo o que eu queria. Isso há quatro anos. Sair com as amigas, conversar com outro menino, não escutar a sua voz, não sentir o seu cheiro, não ver você chegar. Há três anos. Conversar com ele, pensar nele, sentir o coração dele, viver por ele. Faz dois anos. Dançar, beijar, pular, cantar, gritar, sentir, ouvir, viver. Um ano. Rir com ela, andar com ela, quebrar regras com ela. Quatro meses atrás. Depois de tudo isso, de todo esse tempo sem pensar em você, surge essa saudade, essa falta, essa enorme vontade de te abraçar e dizer que você foi muito importante na minha vida. Sua culpa, tudo é sua culpa... Porque foi sorrir para mim? Idiota, imbecil. Não te amei com toda a força possível que existe dentro de mim, nunca amei ninguém. Mas foi por você que derramei minhas únicas lágrimas.



Revolução

 
Vamos começar uma revolução! Você muda o seu modo de agir e eu mudo os meus costumes... Não, não, não. Vamos tentar diferente, eu falei uma revolução não é? Sim. Vamos mudar o que há de errado, vamos trazer todos para o nosso lado e fazer uma confraternização. Uma festa. Vamos beber até cansar, até acabar com a nossa reputação, depois disso, quem sabe, começaremos uma revolução. Tudo novo, um recomeço. Se não gostarmos... Simples, muito simples, voltaremos as nossas velhas atitudes, reiniciaremos a nossa festa, mais um porre. Viva o fim da revolução!



Perfil

Definitivamente não sou bem vista pelos outros, não sou simpática e nem pretendo ser, não gosto de demonstrações de afeto, não gosto de boates, não gosto de muitas pessoas, são poucas as que eu considero, e os amigos, os amigos posso contar nos dedos. Já tive vários namorados, nenhum eu amei. Já experimentei coisas novas, já fiz de tudo e ainda falta algo, mas não sei o que falta. Gosto de ler, escrever, filmes, cigarros, bebidas e rock’n’roll. Gosto da suástica, mas não defendo Hitler. Admiro pessoas fortes, apesar de muitas vezes não concordar com suas atitudes, leio o horóscopo todo dia, gosto de ser diferente. Acho que a bíblia é um livro de história como qualquer outro que pode conter erros. Vou fazer faculdade de Direito, amo leis, mas não pretendo segui-las... Estranho, mas sou assim. Não gosto de pessoas efusivas, não gosto de mentiras, prefiro a verdade, por mais dolorosa que seja. Sou orgulhosa. Acredito no destino e em pessoas destinadas a ficarem juntas, acredito no amor.



Marrer


 

E quando me vejo perdida, sei que tenho você perto de mim, para me apoiar, sempre ali, daquele jeito, com aquele sorriso, aquele olhar, as mesmas palavras, o mesmo abraço, aquela piada fora de hora, o seu charme que só eu vejo, a sua voz grossa que desafina no meio das frases, o ombro amigo que me protege, as risadas que me alegram. E isso tudo me dá a certeza que eu sempre busquei, eu tenho um amigo, eu tenho um melhor amigo, que não me abandona, que me ama e vai defender em todos os momentos. E com você aqui os meus dias são melhores e completos. Eu te amo.

Metamorfose Ambulante

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”, dizia Raul Seixas. Sim, uma metamorfose, uma mutação, um ser visto com maus olhos pelos outros, é assim que a maioria das pessoas veem quem pensa dessa maneira. Mas eu prefiro observar do mesmo modo como Raul observou, se os outros enxergam de um jeito dessemelhante ao meu, não faz a menor diferença, se pensam ser uma forma desconexa agir assim, erram. O maior caráter está em admitir a sua verdadeira personalidade, seja da forma que lhe for mais conveniente. Não existe certo ou errado. Regras? Para que segui-las? Não nos tornam maiores, mais fortes, não nos fazem melhor. O maior pecado do ser humano é achar que o que não agrada a todos é incorreto.

Erros

Erros incontáveis, erros inaceitáveis, erros incompreendidos, questões sem soluções, dias inacabáveis, horas entediantes... Tudo isso passa, e porque não perdoar um pequeno erro? Todos erram, eu mesma já errei várias vezes, sim, é difícil de assumir, mas é muito mais difícil de perdoar. Ter que perdoar não significa assumir que alguém nos enganou, mas sim que essa pessoa falhou e está arrependida, ninguém é perfeito. Transformar um pequeno erro em algo sem perdão pode ser um dos maiores erros cometidos pelo ser humano.

Lacunas

Há certos momentos em nossas vidas que um vazio enorme toma conta e parece que nada mais faz sentido, que nada importa, que nada é real. Existe uma imensidão aí fora e muitas coisas a serem descobertas, mas mesmo assim o vazio permanece e o imprescindível nunca acontece, o amor falta, a probabilidade de encontrar um diminui e essa lacuna só tende a aumentar sucessivamente tornando esse vácuo cada vez maior e assim acabamos nos tornando pessoas vulneráveis a amar o que não é prudente. O mais coerente nesse momento é entrar em um momento introspectivo e aceitar que vazios existem e sempre vão fazer parte de nossas vidas. Mas o amanhã é um segredo a ser descoberto e é por isso que muitas vezes não desistimos de tudo, um buraco sempre acaba preenchido, mesmo que demore.