quarta-feira, 12 de maio de 2010

Mascara

Ao abaixar a cabeça uma lágrima rolou, filha única da decepção. Uma lágrima apenas foi capaz de demonstrar todo o seu rancor, “aquela menina nunca chorou…” muitos por ali já diziam, mas não sabiam, não sabiam de nada da vida, nem da dela, nem da deles; ocupavam-se mais a ver seu sorriso, não tentavam desvendar o porque deles aparecerem tão frequentemente, pois eu lhe digo: máscara, uma simples e doce máscara; empenhava-se em não perturbar a ninguém com suas tristezas, com seus rancores e mágoas, assim ela decidiu.
“Mas ninguém é de ferro”, ela tentava pôr em sua cabeça esse velho dito, mas não adiantava, o sorriso maléfico era o que aparecia, como convite de entrada a uma casa feliz. “MENTIRA, casas felizes não existem”, só nisso ela acreditava.
Após a primeira e única lágrima, naquele rosto sem alguma ruga aparente, não mais ouveram sorrisos; ela também não empenhava-se em chorar. Ela só vivia,curta e grossa, seca, apenas existia. Cansada de todas as decepções e tentativas de uma vida com risos sinceros, ombros à oferta-lhe conforto, em vão; buscava, mas não encontrava nada, ninguém, nem a ela mesma.
Ao olhar-se no espelho imaginava, “meu futuro, eu sou meu futuro, meu amigo”. O futuro dela não existia, não um diferente, mas o mesmo de sempre: RANCOR, MÁGOA, TRISTEZA.
E ela seguia, sem se abrir, sem querer demonstrar-se quem realmente é, seguia sem que ninguém soubesse ao certo quem ela era, por isso sozinha, sempre sozinha e mascarada.
17_01_mascaras

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