Começa de uma forma tão engraçada. De um momento para o outro você olha para aquela pessoa de uma forma diferente. E no momento seguinte ela vira os olhos para você e então o desvio se faz mais do que necessário. Não queremos dar muita bandeira.
Depois disso passamos para a fase das conversas onde risadas servem com vírgulas. Ou melhor, as risadas servem como recheio para a falta de assunto. O cabelo é jogado para trás. A maquiagem é estratégicamente pensada para dar aquele ar natural. Tudo é maquiado para parecer natural. Seria naural dizer que quer te ver amanhã de novo.
Seria natural dizer que gosta de você. Então vocês se vêem. E tudo parece tão excitante. Ao encostar a mão na do outro já parece que estamos entrando no altar. Tudo é dormente. Tudo é dormente menos o nosso desejo. Menos aquele pensamento: "quando vai acontecer o beijo?". Esse não, esse não adormece nem por um segundo.
Praticamente se implora pelo beijo.
Então há o beijo. Aquele momento em que o eu se encontra com você. Aquele momento meio estranho. Sim, deixemos o romantismo de lado. Estranho. Você ia fazer uma coisa, ele fez outra. Mas talvez, por um segundo vocês tenham pensado a mesma coisa. Espera. Calma. Ah... agora sim. Então vamos aproveitando aqueles calafrios leves que vão ficando maiores.
Um dia você escuta um "eu gosto de você".
E então, nada nada nada nada no mundo te faria se sentir melhor do que "eu gosto de você". Talvez você consiga dizer que também gosta dele? Se você respirar mais algumas duzentas vezes, na próxima saia. E sai. E por um minuto, os dois estão voando tão alto quanto nunca se imaginaria. Porque vocês se gostam. E não há nada melhor do que gostar.
O telefone toca numa tarde chuvosa. É. É ele. Tudo acontece tão rápido. Você segura o celular e fica vendo aquele nome piscando e a música que você nunca antes prestara atenção. E quando você percebe aparece no visor: "uma chamada perdida.". Bom, muito bom. Ele te liga e voce não atende o telefone porque simplesmente não conseguiu segurar essa sua hiperat... Ele está ligando de novo.
Você atende. A voz parece melhor, mais grossa e mais decidida do que ao vivo. Você vão se ver em breve? Eu preciso saber. Porque eu tenho pensado muito em você.
Bom, de repente vocês pensam um no outro. Agora sim. Agora vocês têm algo de concreto. Nada mais concreto do que o pensamento mútuo. E nunca foi tão bom pensar que o outro está pensando em você.
Passam-se algumas semanas. A saudade aparece de vez em quando em conversas. Talvez seja melhor fingir que eu tenho outra coisa para fazer hoje. Ele fica com saudade. Ai ele quer me ver. E ai ele... "estou apaixonado por você.". Sim.
Sim.
Um sorriso. Um beijo. Depois disso vem o que? Vem o amor? Filhos? Casamento? O que vem depois da paixão? Eu posso querer algo mais do que a paixão?
Sim. Você pode. Um mês depois o "eu te amo" lhe parece escorrer pelos lábios. Aconteceu. Vocês chegaram lá. Nós chegamos lá. De um olhar timido passamos para o amor. E de forma tão natural. Afinal, tudo no amor é natural.
Porque no inicio nos contentávamos com gostar e agora só podemos ser felizes com treze "eu te amo" por dia? Porque não podemos simplesmente esperar as coisas tomarem o seu próprio tempo?
Agora, é nesse momento, nesse exato momento em que ultrapassamos a barreira do amor. O verbo passa a ser outro. "Eu te odeio." Eu te odeio. Eu te odeio. E brigas, e brigas. E muitas, muitas brigas. Os filhos, o casamento, o amor, os olhares, as risadas falsas... Tudo virou verdade.
O amor sobrevive da mentira, então? Não. O amor não sobrevive da mentira. O que sobrevive das imagens, dos risos, dos celulares, e variados, é aquilo que queremos acreditar que é o amor. Mas não é isso. Não é nada disso.
Nos convencemos de que o amor vence tudo. Nos convencemos de que com amor poderemos vencer tudo. E que assim que encontrarmos o nosso Romeu ou a nossa Julieta seremos felizes para sempre. Mas... eles não morreram? Será que o amor é aquilo que compramos com tanta ingenuidade?
Sim, o amor pode construir. Pode destruir. Pode causar aqueles calafrios. Pode causar as risadas. Mas no final, no final de tudo, o que resta são apenas duas pessoas. Dois humanos. Duas vidas. VIDAS.
O amor é antes de tudo, vida. E esquecemos disso. A vida não é excitante o tempo inteiro. E com certeza, a vida que está no outro não será excitante o tempo inteiro. Quando aprendermos a amar a nossa vida monótona e vazia, estaremos amando. E ao sermos, ao vivermos... amamos. E então, tudo será menos que perfeito. Mas, com certeza, será amor.
O amor é simples.
Depois disso passamos para a fase das conversas onde risadas servem com vírgulas. Ou melhor, as risadas servem como recheio para a falta de assunto. O cabelo é jogado para trás. A maquiagem é estratégicamente pensada para dar aquele ar natural. Tudo é maquiado para parecer natural. Seria naural dizer que quer te ver amanhã de novo.
Seria natural dizer que gosta de você. Então vocês se vêem. E tudo parece tão excitante. Ao encostar a mão na do outro já parece que estamos entrando no altar. Tudo é dormente. Tudo é dormente menos o nosso desejo. Menos aquele pensamento: "quando vai acontecer o beijo?". Esse não, esse não adormece nem por um segundo.
Praticamente se implora pelo beijo.
Então há o beijo. Aquele momento em que o eu se encontra com você. Aquele momento meio estranho. Sim, deixemos o romantismo de lado. Estranho. Você ia fazer uma coisa, ele fez outra. Mas talvez, por um segundo vocês tenham pensado a mesma coisa. Espera. Calma. Ah... agora sim. Então vamos aproveitando aqueles calafrios leves que vão ficando maiores.
Um dia você escuta um "eu gosto de você".
E então, nada nada nada nada no mundo te faria se sentir melhor do que "eu gosto de você". Talvez você consiga dizer que também gosta dele? Se você respirar mais algumas duzentas vezes, na próxima saia. E sai. E por um minuto, os dois estão voando tão alto quanto nunca se imaginaria. Porque vocês se gostam. E não há nada melhor do que gostar.
O telefone toca numa tarde chuvosa. É. É ele. Tudo acontece tão rápido. Você segura o celular e fica vendo aquele nome piscando e a música que você nunca antes prestara atenção. E quando você percebe aparece no visor: "uma chamada perdida.". Bom, muito bom. Ele te liga e voce não atende o telefone porque simplesmente não conseguiu segurar essa sua hiperat... Ele está ligando de novo.
Você atende. A voz parece melhor, mais grossa e mais decidida do que ao vivo. Você vão se ver em breve? Eu preciso saber. Porque eu tenho pensado muito em você.
Bom, de repente vocês pensam um no outro. Agora sim. Agora vocês têm algo de concreto. Nada mais concreto do que o pensamento mútuo. E nunca foi tão bom pensar que o outro está pensando em você.
Passam-se algumas semanas. A saudade aparece de vez em quando em conversas. Talvez seja melhor fingir que eu tenho outra coisa para fazer hoje. Ele fica com saudade. Ai ele quer me ver. E ai ele... "estou apaixonado por você.". Sim.
Sim.
Um sorriso. Um beijo. Depois disso vem o que? Vem o amor? Filhos? Casamento? O que vem depois da paixão? Eu posso querer algo mais do que a paixão?
Sim. Você pode. Um mês depois o "eu te amo" lhe parece escorrer pelos lábios. Aconteceu. Vocês chegaram lá. Nós chegamos lá. De um olhar timido passamos para o amor. E de forma tão natural. Afinal, tudo no amor é natural.
Porque no inicio nos contentávamos com gostar e agora só podemos ser felizes com treze "eu te amo" por dia? Porque não podemos simplesmente esperar as coisas tomarem o seu próprio tempo?
Agora, é nesse momento, nesse exato momento em que ultrapassamos a barreira do amor. O verbo passa a ser outro. "Eu te odeio." Eu te odeio. Eu te odeio. E brigas, e brigas. E muitas, muitas brigas. Os filhos, o casamento, o amor, os olhares, as risadas falsas... Tudo virou verdade.
O amor sobrevive da mentira, então? Não. O amor não sobrevive da mentira. O que sobrevive das imagens, dos risos, dos celulares, e variados, é aquilo que queremos acreditar que é o amor. Mas não é isso. Não é nada disso.
Nos convencemos de que o amor vence tudo. Nos convencemos de que com amor poderemos vencer tudo. E que assim que encontrarmos o nosso Romeu ou a nossa Julieta seremos felizes para sempre. Mas... eles não morreram? Será que o amor é aquilo que compramos com tanta ingenuidade?
Sim, o amor pode construir. Pode destruir. Pode causar aqueles calafrios. Pode causar as risadas. Mas no final, no final de tudo, o que resta são apenas duas pessoas. Dois humanos. Duas vidas. VIDAS.
O amor é antes de tudo, vida. E esquecemos disso. A vida não é excitante o tempo inteiro. E com certeza, a vida que está no outro não será excitante o tempo inteiro. Quando aprendermos a amar a nossa vida monótona e vazia, estaremos amando. E ao sermos, ao vivermos... amamos. E então, tudo será menos que perfeito. Mas, com certeza, será amor.
O amor é simples.


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