domingo, 30 de maio de 2010

Cotidiano poético

O cotidiano é tão simples.

Impressionante o que se consegue transformar numa estrutura pré-existente. Temos as nossas 24horas do dia, das quais pelo menos sete perdemos dormindo. Não que eu considere dormir uma perda de tempo. Dentro do nosso tempo útil, deveríamos ter tudo sobre controle. Tudo é programado para continuar conforme o combinado.

Acontece que nada acontece como determinamos. Me pergunto como em dias tão idênticos acontecem coisas tão diferentes. Poderia dizer que nossa vida é uma série ordenada de dias industrializados mas que nunca saem em pefeita sincronia.

A nossa rotina é muito minimalista. Dentro do minimalismo existe o expressionismo.Para haver o mínimo precisamos do máximo. A cada minuto mudamos o nosso dia orquestrado sem mudar o roteiro. Tudo premanece nos mesmos horários, mas de alguma forma, conseguimos driblar a tirania da ordem e dar um certo jeitinho de cravar emoção.

Criamos desculpas para reclamar de nossa vida complicada. Quando percebermos que tudo é organizado e desorganizado por nós e para nosso prazer, veremos que tudo é muito mais simples do que parece. E portanto, muito mais interessante.

Nada mais desafiador do que saber todos os truques de um jogo. Quando conhecemos as raízes, podemos movimentar o tronco de todas as formas, pois saberemos sustentá-lo. Conhecer as minuciosidades de nossa vidinha é essencial para podermos destruí-la diariamente.

O interessante não é o durante. É o conjunto.

É de pequenas infrações que nasce uma Constituição. De pequenas loucuras, partimos para as insanidades. De verão, criamos o inferno de Dante. Não é o day after que me importa, mas aquilo que construo com minhas brincadeiras.

O dia é verso. A vida é poética.

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