domingo, 30 de maio de 2010

Aquilo que não tem nome

Quando a música começa e algo entra pelo estômago. É como uma água bem gelada que fosse correndo pelo corpo e aos poucos, com o desenvolver do som, fosse esquentando. Confortando.

Quando me movimento é como se a partir do segundo inicial eu saísse do meu estado natural. Parece meio clichê, mas é uma sensação de descontrole. E ao mesmo tempo, um controle absoluto, maior do que qualquer momento antes. O meu corpo não se move porque lhe envio mensagens. Se move porque meu peito se sente assim. O meu peito dança.

Todos os segundos da minha vida estão presentes quando eu danço. Enquanto a música toca, ou enquanto há o silêncio, eu sou tudo. Eu sou todos. Não poderia responder perguntas. A luz me cegaria. Não poderia descrever melhor. Não sei direito. Só se sabe quando se está. Quando não se está mais, não se sabe.

Quando acaba, quando o último dedo da mão se imobiliza, é como se toda aquela energia mortal acabasse. Como uma luz que se apaga de repente. Tudo acabou. O sentimento, o poder, o controle, o esquecimento. Tudo veio com tamanha intensidade e foi vivido como se fosse o presente, mas se foi na mesma velocidade.

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