quinta-feira, 6 de maio de 2010
Os dias
Tem dias que eu acordo com vontade de dançar, aí decido que quero fazer aulas de dança. Depois eu acordo querendo lutar boxe, e passa. E então eu acordo com as mãos já posicionadas imaginando ser fotógrafa. Já acordei lendo jornal em voz alta, só para tentar ser jornalista. Uma vez acordei com um martelo, fingindo ser juíza. Já acordei com sono tentando ser bicho preguiça, e já acordei correndo, pensando em ser atleta. Já acordei dramatizando, querendo ser atriz. Cantando, vendendo, cortando cabelo, embrulhando presentes. Já acordei até limpando a casa! Já acordei carente só para dar um milhão de abraços. E quando eu acordo humanitária? A maior vontade do mundo de pegar todas as roupas, os brinquedos antigos, os objetos que não me servem mais e sair distribuindo. Pensei em colar cartazes, em chamar atenção quando vejo algo errado. Já quis até ir para a Guerra. E sabe o que é mais curioso? Cada dia eu tenho desejos de coisas novas, mas nem todos são permanentes. E todas essas vezes que eu finjo experimentar outras coisas, eu descubro o que realmente quero, e um pouco do que sou. E passo a entender que todos gostam de coisas muito diferentes, e tenho que lidar com as discórdias. E em cada ano que convivo, que brinco, que "quero ser" eu me completo, eu ganho tanto. Eu aprendo cada dia mais, e sinto que há muito mais que posso saber e viver. O que se há de fazer é experimentar tudo da vida e por fim e não menos necessário, experimentar a inevitável partida.
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